Nutrologia

A Causa Real da Obesidade – Parte 1

Saiba nesse artigo qual a Causa Real da Obesidade!

“Todos os regimes de emagrecimento populares envolvem uma restriçāo nos carboidratos da dieta”
Human Nutrition and Dietetics
December 23, 1999
by J. S. Garrow MD PhD FRCP FRCP(Edin)

Em geral, os pacientes com problemas para controlar o peso já fizeram inúmeros tratamentos. Possivelmente saibam muito a respeito de dietas e acreditam que o excesso de calorias e a falta de atividade física sejam as únicas causas da obesidade. Além disso, a maioria dos profissionais na área de nutriçāo estāo firmemente convencidos de que comendo de 3/3 horas, em pequenas quantidades e seguindo uma dieta “equilibrada” possam controlar o problema. Contudo, nos últimos cinquenta anos a obesidade atingiu níveis de epidemia, apesar dos incontáveis métodos e publicações existentes para solucionar a situaçāo: especialistas, livros, academias de ginástica e internet.

Atualmente, segundo a OMS, a obesidade é o maior problema de saúde pública em países desenvolvidos. No Brasil “o número de brasileiros acima do peso é cada vez maior. Pesquisa do Ministério da Saúde, Vigitel 2014, alerta que o excesso de peso já atinge 52% da populaçāo adulta do país.”

Mas sāo as doenças vinculadas à obesidade a grande questāo: diabete, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, além das cirurgias bariátricas e os distúrbios psiquiátricos.

Portanto, as diretrizes nutricionais vigentes há mais de cinquenta anos falharam, por assim dizer, redondamente, e algo deve ser feito, com certeza. Como sabemos o caminho escolhido foi “aumentar a dose do remédio”, através de mais “alimentos” industrializados junto a uma indústria farmacêutica que disponibiliza novos produtos para uso “regular e contínuo“ visando tratar as consequências, sem prestar atencāo nas causas: adoçāo de hábitos alimentares para os quais nāo estamos geneticamente adaptados.

Entretanto, muitos pesquisadores, médicos e nutricionistas mostram que a obesidade tem seu ponto chave na alteraçāo da forma como metabolizamos carboidratos, uma incapacidade de lidar com a grande carga de açúcar que regularmente está embutida em cada porçāo de comida que ingerimos. Claro que, junto a outros fatores comportamentais, o excesso de calorias, nāo só carboidratos, mas ainda proteínas e gorduras também importam. Entretanto, o ponto chave está na hiperinsulinemia determinada pelo consumo excessivo de carboidratos.

O mais surpreendente é que existem relatórios e livros publicados há muito tempo. Muito provavelmente John Rollo, um cirurgiāo britânico, venha ser o primeiro a estabelecer cientificamente a relaçāo entre o consumo de alimentos e variações na glicemia (medida na urina), em seu trabalho científico publicado em 1797 ao comparar: “matéria vegetal” (pão, grãos, frutas) com matéria animal ( i.e. carne ).

Contudo, em termos de dieta é aceito que a relaçāo entre ganho de peso e carboidratos foi descrita em 1825, quando o advogado e gastrônomo francês Brillat-Savarant publicou um ensaio denominado “Tratamento preventivo ou curativo da obesidade” em seu clássico da gastronomia “A Fisiologia do Gosto”, afirmando que a obesidade é consequência do consumo exagerado de cereais e amidos.

O primeiro best seller” foi publicado na Inglaterra em 1864, denominado “ Carta sobre a Obesidade” de Willian Banting.

Em 1972, um professor Britânico, John Yudkin, revelou, de forma quase profética que haveria um verdadeiro envenenamento por carboidratos, em seu livro “Puro, Branco e Mortal” ao mostrar como o açúcar destrói nossa saúde.

O motivo que torna a quantidade de carboidratos ingeridos na atualidade incompatíveis com a saúde humana, está na evoluçāo de nossa espécie, que desde o homem das cavernas evoluiu com uma dieta a base de proteínas, gorduras, raízes e algumas frutas. Durante milhões de anos, nosso organismo esteve adaptado a pequenas quantidades de carboidratos, mas há cerca de 150 anos este mecanismo foi quebrado por uma cultura alimentar que passou a exigir desempenho muito além da capacidade metabólica para nossa espécie.

Parece claro, portanto, que o caminho para tratar a obesidade e suas consequências seja: controlar os carboidratos da dieta! O homem, ser onívoro, sempre viveu num mundo onde carboidratos eram uma parte muito pequena de sua dieta. Mesmo porque a ciência já demonstrou que, mesmo consumindo poucos carboidratos é plenamente possível manter um estado de plena saúde. A maioria das pessoas com obesidade, fadiga crônica, doenças cardiovascularares, emocionais e tantas outras, deveria pois, tratar a incapacidade de lidar com os carboidratos como causa, e apenas em casos específicos tratar somente os sintomas (a consequência).

Contudo, um ponto deve ser bem esclarecido: apesar desse tratamento ser muito eficiente para um grande número de casos e pessoas, ele nāo é uma fórmula única e exclusiva. Há inúmeras situações onde outras abordagens podem e devem ser desenvolvidas, considerando nāo só as alterações de metabolismo, mas os hábitos e costumes de cada indivíduo ou grupo de pessoas.

Recentemente (maio, 2016) vários jornais e outros meios de comunicaçāo na Inglaterra divulgaram um relatório elaborado por duas organizações independentes – Fórum Nacional de Obesidade e Colaboraçāo para a Saúde Pública – sobre a adoçāo de medidas alimentares, elaboradas na forma de um guia de orientaçāo nutricional, com o propósito de:

“…corrigir estes erros, o Fórum Nacional da Obesidade e o Public Health Collaboration, baseados nas mais atualizadas evidências científicas e clínicas, recomendam uma completa revisão das diretrizes nutricionais e de saúde pública. As mudanças mais efetivas e importantes podem ser resumidas nos seguintes 10 pontos…”

O relatório é um resumo sobre os principais temas que sāo discutidos em dietas de baixo carboidrato, além de oferecer uma lista com referências científicas sobre o assunto. Por sua relevância e poder de esclarecimento, na parte 2 dessa postagem, transcrevemos o material na íntegra.

É importante que os temas abordados na próxima postagem sejam entendidos como material para discussāo, pois nāo existe, atualmente, um consenso sobre qual estilo de dieta seria ideal, mesmo porque as diretrizes nutricionais existentes atualmente são contraditórias. Toda pessoa que decidir adotar uma determinada linha nutricional deverá fazê-la sob acompanhamento de profissional devidamente capacitado na área.

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Dr. João Eschiletti

The author Dr. João Eschiletti

Dr. João Carlos Correa Eschiletti (CREMERS 11095 – RQE 11861) é formado pela UFRGS em 1980. É médico nutrólogo pela Associação Brasileira de Nutrologia ABRAN, CFN, MEC. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é mestre em Medicina pela Universidade de Porto – Portugal.

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