Saúde

Banha: Entenda sua composição para desmistificar seu uso!

Atualmente existe um grande número de estudos científicos mostrando que as dietas de baixo carboidrato podem ser efetivas e seguras. Contudo, em uma área tão controversa como nutrição, sempre haverá divergências por parte de pesquisadores e órgãos de saúde.

Embora esta situação progressivamente venha sendo modificada, um personagem sem formação em ciências biológicas, é o grande responsável por ter virado esse jogo, realizando aquilo que em suas palavras ele chama um “salto de fé” (a leap of faith ). Seu nome: Gary Taubes, um jornalista científico que  publicou dois artigos antológicos – um em 2001, na revista Science Magazine  denominado “The soft science of dietary fat” e outro em 2002 chamado “What if it’s Been a big fat lie?” na revista New York Times. Em 2013, Taubes tornou-se um dos poucos jornalistas convidados a escrever para o British Medical Journal, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo. Por seu trabalho ele recebeu o prêmio da Associaçāo Nacional de Escritores Científicos – a maior honraria para um escritor cientifico nos USA. Mas sāo seus livros que “explodiram” os conceitos da nutriçāo de fora para dentro : “Good Calories, Bad Calories” e “Why we Get Fat”.

Sāo trabalhos contundentes, de uma clareza admirável que derrubaram de forma incontestável o dogma do consumo de gordura como causa da obesidade, até então uma diretriz alimentar inquestionável estabelecida há décadas, desde os anos 1950, através dos estudos de Ancel Keys sobre colesterol.

Embora a mensagem tenha atingido um público gigantesco, os experts em obesidade continuaram a manter seu foco de aconselhamento nutricional na reduçāo das gorduras, dizendo que esta era a melhor maneira de evitar obesidade e doenças cardiovasculares. Essas determinações sāo seguidas pela mídia, mantendo as pessoas longe da discussāo ou entāo ignoradas, como achados incovenientes.

Ao seguirmos estes aconselhamentos, devemos obter nossas necessidades diárias de gordura – quase que em sua totalidade, necessariamente de óleos vegetais e de oliva, aqui restringindo carnes, derivados do leite, ovos ao máximo. Isto nos conduz as gorduras trans e aos olhos vegetais oxidados no lugar dos alimentos de origem animal, que sāo nutricionalmente densos, oferecendo as melhores condições para a saúde humana. Um exemplo está no medo da banha, um conceito que vamos mostrar como Gary Taubes desmistificou em seu livro “Why we get Fat”:

“… a banha é considerada o exemplo arquetípico de uma gordura assassina: era banha que as padarias e restaurantes de fast-food usavam em grandes quantidades antes de serem pressionados a substituí-la pela gordura trans artificial que os nutricionistas têm agora Você pode encontrar a composição de gordura de banha com bastante facilidade, como você pode para a maioria dos alimentos, indo para um site do Departamento de Agricultura dos EUA chamado  National Nutrient Database for Standard Reference.

Descobriram que quase metade da gordura na banha (47 por cento) é monoinsaturada, que é quase universalmente considerada uma gordura “boa”. Gordura monoinsaturada aumenta o colesterol HDL e reduz o colesterol LDL (ambas as coisas boas, de acordo com os nossos médicos). Gordura monoinsaturada é o mesmo ácido oleico que está no azeite de oliva tão altamente elogiado pelos campeões da dieta mediterrânica.Ligeiramente mais de 40 por cento da gordura na banha é de fato saturada, mas um terço  é o mesmo ácido esteárico que está no chocolate e agora também é considerado uma “boa gordura”, porque ele vai aumentar os nossos níveis de HDL, mas não têm efeito sobre LDL (uma coisa boa e uma coisa neutra). A gordura remanescente (cerca de 12 por cento do total) é poliinsaturada, o que realmente reduz o colesterol LDL, mas não tem efeito sobre o HDL (também uma coisa boa e neutra).

“No total, mais de 70 por cento da gordura na banha vai melhorar o seu perfil de colesterol em comparação com o que aconteceria se você mudar essa banha por carboidratos. Os restantes 30 por cento irá aumentar o colesterol LDL (mau), mas também aumentar HDL (bom). Em outras palavras, e duro  se  acreditar nisso, se você substituir os carboidratos em sua dieta com uma quantidade igual de banha, ela vai realmente reduzir o risco de ter um ataque cardíaco.Ela vai torná-lo mais saudável.O mesmo é verdade para a carne vermelha, o bacon e os ovos, e virtualmente todo o  produto animal que nós pudéssemos escolher comer em vez dos hidratos de carbono que nos fazem a gordura. (A manteiga é uma exceção ligeira, porque somente a metade da gordura melhorará definitivamente seu perfil do cholesterol, a outra metade vai aumentar o LDL, mas também aumentar HDL.) “

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Dr. João Eschiletti

The author Dr. João Eschiletti

Dr. João Carlos Correa Eschiletti (CREMERS 11095 – RQE 11861) é formado pela UFRGS em 1980. É médico nutrólogo pela Associação Brasileira de Nutrologia ABRAN, CFN, MEC. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é mestre em Medicina pela Universidade de Porto – Portugal.

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