Artigos

Existe relação entre a Insulina e Câncer de Mama?

mama-insulina

O artigo abaixo apresenta a relação entre insulina e câncer de mama. Ressalta-se que falar em insulina elevada, significa dizer, elevado consumo de carboidratos, e esse artigo destaca de maneira muito direta a relação existente. É sabido que mulheres com diabete tem uma incidência elevada de câncer de mama, agindo como um promotor do crescimento e proliferação em células malignas e benignas. Mais uma vez podemos constatar que dietas de baixo carboidrato são a melhor forma de prevenir várias doenças.  

INSULINA ELEVADA E CÂNCER DE MAMA

Níveis elevados de insulina circulante demonstraram ser um importante marcador e / ou mediador de maior risco de câncer de mama em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) (Peairs et al., 2011). Evidências emergentes de estudos de seguimento e meta-análise indicam que a hiperinsulinemia está associada a um pior prognóstico em mulheres com câncer de mama, mesmo na ausência de diabetes (Belwin et al., 2002). A ação da insulina é normalmente processada através do receptor de insulina (IR), mas em concentrações suprafisiológicas, a insulina também pode ativar o receptor do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF1R). Dado o fato de que ambos os receptores pertencerem à mesma subfamília do receptor de tirosina quinase, o receptor de insulina partilha uma grande homologia estrutural com o receptor de IGF1 especialmente no domínio tirosina quinase. Além disso, ambos os receptores ativam vias de sinalização semelhantes, as vias PI3K / Akt e MAPK (Avruch 1998, Gallagher & LeRoith 2010), que regulam processos como proliferação celular, divisão celular, migração e apoptose (de la Monte & Wands 2005 ). Tanto o IGF1 como os receptores de insulina são frequentemente sobre-expressos no câncer da mama. De modo importante, verificou-se que altos níveis de expressão do receptor de insulina (INSR) estavam associados com uma diminuição da sobrevida dos livres de doença em pacientes com câncer da mama nódulo-negativos (Belfiore et al., 1996, Mathieu et al., 1997). Além disso, os resultados indicaram que a proporção de subtipos de receptor de insulina (IR-A mais mitogênico do que IR-B) pode estar associada a um pior prognóstico; de fato, os subtipos são mensuráveis ​​apenas por níveis de RNA mensageiro (Belfiore et al., 2009, Rowzee et al., 2009, Huang et al., 2011). Os investigadores também propuseram que os receptores híbridos (tanto para IGF-1 como insulina) podem ser importantes no crescimento do câncer; contudo, os seus níveis são geralmente muito mais baixos do que os dos receptores holo-IGF1 e de insulina e respondem principalmente ao IGF1 (Gallagher & LeRoith 2010). Assim, seu significado é ainda indefinido.

Ao longo das últimas duas décadas, a maior parte dos esforços foi investida no desenvolvimento de estratégias com foco no receptor de IGF1 na terapia do câncer, poupando o receptor de insulina, devido à preocupação com anormalidades metabólicas secundárias à inibição desses receptores (Judson et al., 1985, Burtrum et al). No entanto, os resultados dos ensaios clínicos de fase 2 e 3 indicam que a inibição dos receptores de  IGF1R com anticorpos específicos pode resultar em efeitos secundários inaceitáveis ​​e eficácia limitada (Yang & Yee 2012, Guha 2013). Uma razão possível para a eficácia limitada é que o receptor de insulina pode fornecer sinais mitogênicos (divisão celular)  independentemente ou como compensação à inibição dos receptores de IGF1. Verificou-se que a interferência entre os receptores de tirosina quinase confere resistência terapêutica ao alvo específico de apenas um único receptor (Engelman et al., 2007). De forma semelhante, o aumento da sinalização do receptor de insulina foi exibido após a regulação negativa do receptor de IGF1 em várias linhas de células de câncer da mama (Zhang et al., 2007). Além disso, o IGF2 pode conduzir a sinalização de receptor de insulina quando o receptor de IGF1 é seletivamente almejado, o que pode apresentar outra desvantagem para a direção específica anti-receptor IGF1 (Buck et al., 2010). Assim, determinar o papel do receptor de insulina na progressão do câncer da mama tornou-se altamente relevante no campo da oncologia.

Demonstrou-se recentemente que a inibição dupla dos receptores de insulina e IGF1 poderia reduzir a taxa de crescimento do tumor mamário (Rostoker et al., 2013). No presente estudo, utilizamos uma tecnologia que envolve o RNA (short hairpin RNA (shRNA)) para distinguir entre os papéis do receptor de insulina e do receptor de IGF1 no crescimento do tumor mamário. É demonstrado a eficácia terapêutica em direcionar especificamente ao receptor de insulina como manejo específico do tumor. Além disso, nossos resultados atuais com ratos fêmeas hiper-insulinêmicos MKR  indicam que, mesmo em níveis elevados, os sinais mitogênicos de insulina são mediados principalmente pelo receptor de insulina e não pelo de IGF1. A análise por microarrays identificou genes alvo e alterações na via associada ao câncer após a ativação do receptor de insulina. Estes resultados lançam luz sobre o efeito do receptor na progressão do câncer. Finalmente, demonstramos pela primeira vez, ao nosso conhecimento, uma ligação entre a expressão de receptor de insulina e CD24 (considerado biomarcador de superfície celular para câncer de mama LINK) que suporta o papel do receptor na tumorigênese mamária.

 

Link do artigo original:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4362669/

Tags : artigocâncercâncer de mamaconsumodieta de baixo carboidratoinsulinamamamamas
Dr. João Eschiletti

The author Dr. João Eschiletti

Dr. João Carlos Correa Eschiletti (CREMERS 11095 – RQE 11861) é formado pela UFRGS em 1980. É médico nutrólogo pela Associação Brasileira de Nutrologia ABRAN, CFN, MEC. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é mestre em Medicina pela Universidade de Porto – Portugal.

Leave a Response